LUÍSA DACOSTA, VILA REAL 1927 - MATOSINHOS 2015 16/02

Olá Luisinha, minha querida amiga,

Hoje é o dia dos seus anos, 16 de Fevereiro, dia em que lhe mando sempre as suas amadas frésias, um grande ramo muito colorido. Este ano ainda não há, o inverno tem sido muito... Vamos optar pelos jacintos, azuis, que também fazem o seu encanto.

Lembro os nossos almoços das 4ªs feiras aqui na Árvore em que trocávamos pequenos presentinhos e falávamos e conversávamos de tudo, das nossas raízes transmontanas, dos costumes, da comida, das sobremesas, das pessoas, das memórias, dos amigos, dos que partiram e dos que ainda estão connosco.

E daquela vez que lhe pedimos um texto para o nosso livro da história da Árvore, que a Luísa intitulou "Porto - Cidade", e que me deu a ler e eu não consegui chegar ao fim, desfiz-me em lágrimas. Texto muito belo, com uma carga dramática muito intensa: «[...] Cidade de ruas estreitas e soturnas, (...) de árvores frondosas (tantas vezes meu ninho), algumas esguias, como fustes de catedrais, (...) - um dia não estarei.
[...] Cidade que entardece, quando o ovo sangrento e solar mergulha no horizonte, (...) cidade, tão de vida e solidão, cidade minha, dói-me saber que um dia, quando o outono dos plátanos for incêndio, ouro e sangue - não mais estarei.»

Com a minha saudade,
Manuela de Abreu e Lima
Árvore, Porto, 16.Fev.2015